Enfrentando o medo. Encarar nossos medos de frente é difícil em qualquer fase da vida, mas especialmente na gravidez. Na 11ª semana de minha primeira gravidez, estava me sentindo incrivelmente bem, lidando apenas com um pouco de cansaço aqui e ali.

Minha melhor amiga estava nos visitando em Florianópolis. Essa era a primeira vez dela em minha nova cidade. Em seu último dia conosco, saímos para dar uma caminhada rumo a uma pequena cachoeira.

No inverno frio do sul do Brasil, o ar estava fresco e a floresta úmida enquanto explorávamos a trilha sinuosa que corria ao lado de um córrego preguiçoso. Sabendo que ao final da trilha havia uma cachoeira, tive intenção de pular na água gelada, reivindicando assim meu título de “saltadora de cachoeiras.

Tinha acabado de ver o marido de minha melhor amiga saltar em segurança e nadar na água sem problemas. Mas, após uns 30 minutos de análise, enquanto estava no topo de pequenas quedas, olhando para baixo, de repente senti-me paralisada de medo … “e se” começou a invadir minha mente.

….”e se” isso prejudicar a vida do bebê? …”e se” não for fundo suficiente? …”e se” eu escorregar quando pular? …”e se” estiver sendo imprudente?

Neste estágio gestacional, que nem aparece ainda, corro regularmente em torno de 5 km, portanto, estou em boa forma. Senti uma paz profunda, sabendo que esse pequeno salto não era perigoso. E ainda assim, a escolha era minha…

Ceder ao medo e usar o bebê como uma desculpa legítima para não pular, o que eu reconhecia que era uma mentira, ou superar o medo e saltar naquela pequena cachoeira que parecia tão alta quanto uma montanha aos meus olhos tomados de medo?

Quando olhei para a borda, a realidade do significado do medo no momento ficou evidente. A gravidez, o nascimento, a maternidade, um pequeno ser humano para nutrir, proteger e cuidar… todas as experiências completamente novas e com elas um milhão de razões para temer.

O medo de abortar, da dor do parto, de cometer um erro na maternidade, estavam todos me encarando. Naquela fração de segundos, soube que os medos poderiam facilmente ser meus companheiros constantes nesta próxima estação.

O nascimento e maternidade me aguardam … Seria compreensível, e ninguém me culparia por ser protetora ou cautelosa. Mas, conhecia meu coração, sabia que essa cautela tinha sua origem em medo, não na sabedoria ou paz.

De pé na beira do pequeno salto que parecia enorme, inclinei-me para a paz profunda que senti em meu interior, e confiei em mim mesma, visualizei o medo que tentava subtrair minha coragem e pulei para dentro da água gelada, cheia de fé que ficaria bem!

Entreguei a gravidez, a agonia do nascimento, as ondas de choque do pós-parto e a incumbência de cuidar de meu querido filho. Estava decidida a não deixar o medo vencer. A água fria tirou-me o fôlego e foi seguida por uma alegria que só é encontrada do outro lado de uma vitória.

Nossos filhos não precisam de mães temerosas que os protejam de joelhos arranhados, mas de mães que têm potencial de moldá-los em homens e mulheres de caráter, integridade e coragem – aqueles que enfrentam o medo.

Se quisermos que nossos filhos cresçam fortes e mudem o mundo, devemos modelar estilos de vida de liberdade e coragem, pois eles seguirão nossos passos. Nossos filhos precisam de mães que confiam em um futuro desconhecido de um Deus conhecido.

Não podemos nos esconder sendo “cautelosas” e criar crianças cheias de medo. O medo quer assumir o controle e nos levar a viver vidas seguras e chatas. Devemos lutar contra o medo com amor. Lutar contra o medo com coragem.

Devemos confiar em nós mesmas, assumir riscos, com objetivo de penetrar em novos lugares que Deus tem para nós e para nossos filhos, enfrentar o medo. Seremos mães que se levantarão diante dos gigantes, enquanto pequenos olhos nos observam?

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